DUBLIN — O Aviva Stadium foi transformado em um verdadeiro templo do heavy metal durante a passagem do Metallica pela capital irlandesa, dentro da M72 World Tour. A banda realizou dois shows consecutivos na cidade, seguindo o formato “No Repeat Weekend”, no qual cada noite apresenta setlists completamente diferentes e experiências distintas para o público.

O resultado foi um evento de escala histórica. Cerca de 100 mil fãs passaram pelo estádio ao longo das duas apresentações, que trouxeram uma estrutura em formato in-the-round, palco central e o icônico “Snake Pit” no meio da arena, aproximando a banda do público em todos os ângulos possíveis.

Uma abertura de impacto imediato

Na primeira noite, o Metallica abriu com “Creeping Death”, colocando o estádio em estado de explosão logo nos primeiros minutos. A sequência seguiu com faixas como “Harvester of Sorrow” e “King Nothing”, equilibrando peso e precisão técnica — um padrão que já define a fase atual da banda.

O repertório transitou entre clássicos dos anos 80 e 90 e músicas mais recentes do álbum 72 Seasons, reforçando a ideia de uma banda que não vive apenas do próprio legado, mas continua produzindo material relevante.

Nostalgia e conexão com o público

Momentos como “Nothing Else Matters”, “Fade to Black” e “Master of Puppets” funcionaram como picos emocionais do show. Não se tratava apenas de uma apresentação musical, mas de uma experiência coletiva marcada por memória afetiva e catarse.

A presença de diferentes gerações no público reforçou esse impacto: fãs antigos dividiam espaço com uma nova audiência que descobriu o Metallica através da cultura digital, séries e redes sociais.

Estrutura e experiência imersiva

A produção seguiu o padrão global da M72 World Tour: palco central, som distribuído em 360 graus e um conceito visual que elimina a noção tradicional de “frente de palco”.

O estádio inteiro se torna parte ativa do espetáculo, ampliando a imersão do público. Além disso, o evento contou com áreas de experiência, lojas oficiais e ativações exclusivas para fãs.

Um momento fora do roteiro

Durante o segundo show, o guitarrista Kirk Hammett sofreu uma queda ao se aproximar da borda do palco. O incidente chamou atenção da plateia, mas ele retornou rapidamente à performance, sem interrupções no show.

O episódio acabou se tornando um dos momentos mais comentados da noite, pela forma natural com que a apresentação seguiu.

Homenagens e carga emocional

O show também trouxe referências constantes ao baixista Cliff Burton, figura histórica da banda. As homenagens reforçaram o peso emocional da apresentação e a ligação da banda com sua própria história.

Um Metallica ainda dominante

Mesmo após décadas de carreira, o Metallica mantém um nível de produção e performance compatível com grandes arenas globais. A combinação entre técnica, impacto visual e repertório sólido sustenta a banda como um dos últimos pilares do rock em escala massiva.

Dublin não recebeu apenas um show. Recebeu uma demonstração clara de que o rock de estádio ainda mantém força, relevância e público em 2026.

No fim, o que ficou foi simples: uma performance precisa, um público em êxtase e a confirmação de que algumas bandas não envelhecem — apenas evoluem dentro da própria história.